Por mais que tenha sido cuidadoso ao longo de sua carreira profissional na estratégia de guardar recursos para serem utilizados em momentos de falta de trabalho e renda ou que tenha recebido uma bela indenização trabalhista ou que vai receber o seguro desemprego, é preciso que você faça um rearranjo em suas finanças, para enfrentar o complicado período de falta de trabalho e renda.

 

Em linguagem popular, é aqui que o “bicho pega” na vida de todos os desempregados, já que neste período os gastos vão ter de continuar existindo e a receita vai diminuir ou simplesmente acabar, para aqueles que desenvolvem atividades paralelas e para os outros que só dependiam do emprego normal como fonte de renda.

 

Sem desespero, mas também sem letargia, racionalize todos os seus gastos – principalmente aqueles que podem ser adiados, doa a quem doer, sem se importar com “e o que os outros vão pensar?”, ainda mais se você não conseguiu ao longo de sua trajetória profissional desenvolver e praticar alguma atividade paralela, como já sugerido em outro capítulo, ou ter conseguido fazer alguma reserva financeira, que agora poderia estar sendo utilizada para atender suas necessidades.

 

Não se importe com o que os outros vão pensar sobre as suas dificuldades momentâneas. Danem-se os outros. Não fique se comportando como se nada estivesse acontecendo, como muitos fazem só para manter a aparência, até mesmo dentro da própria casa, de que tudo está normal.  É preciso que todos à sua volta, em especial filhos, esposa e parentes próximos que dependem de sua renda, saibam exatamente de sua situação e se empenhem em colaborar com a racionalização, adiamento ou cancelamento de gastos.

 

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Lembre-se de que você poderá ficar muito tempo sem trabalho ou renda; em média de seis a doze meses para muitos profissionais. Mais de ano para muitos outros. Esse tempo vai variar muito, para mais ou para menos, conforme forem as suas reais habilidades e qualificações, sua idade, o lugar em que vive, a situação econômica de sua cidade, região, estado, país e do próprio mundo.

 

Se você desconsiderar essas providências e não tiver condições econômicas para atender às necessidades básicas suas e de seus familiares, além do sofrimento em si pela falta dos bens, produtos e serviços em seu dia-a-dia, o seu posicionamento no mercado se tornará diferente – para pior.

 

Conhece aquelas ofertas de empregos (indecorosas, em nossa opinião, próprias de empresários inescrupulosos, exploradores e aventureiros, além de ilegais)?

 

“Procuramos profissional que reúna tais e tais qualificações, conhecimentos e experiência; possua condução própria, escritório, telefone e computador para serem utilizados no exercício de suas atividades (sem vínculo empregatício); disposto a trabalhar em regime de comissão, sem garantia fixa e sem ajuda de custo para despesas normais e de manutenção de seu veículo. Início imediato”.

 

A maioria das pessoas não gosta sequer de ouvir tais ofertas.

 

Quase sempre, o que mais temos observado por trás dessas “ofertas escandalosas ou descabidas” é um processo de transferência do risco do empreendimento, por parte da empresa, para a pessoa, empregado ou não.  Se ela conseguir colocar o produto ou a marca no mercado, ela ganha – e a empresa muito mais. Se não conseguir, o prejuízo é somente da pessoa – de tempo e de gastos, além de outros aborrecimentos.

 

Pois é. A pressão e necessidade de arrumar algum ganho imediato muitas vezes farão com que você se disponha para esse enorme e descabido sacrifício, que só vai aumentar e agravar suas dificuldades econômicas e financeiras, abalar sua autoestima, gerar ou aumentar conflitos familiares, entre tantos outros problemas.

 

Mas veja bem. Tome cuidado e avalie bem esses tipos de propostas, pois nem sempre elas são indecorosas e descabidas como acima as definimos. Podem ser oportunidades de trabalho muito interessantes – o que muitas vezes acaba acontecendo, pois se percebe que o que o anunciante está buscando é, efetivamente, um PARCEIRO, que como tal deve assumir alguns riscos e possuir algumas condições de estrutura mínima, como já mencionamos.

 

E se forem, e sendo imprevidente com seus gastos, talvez já não tenha mais o fôlego mínimo necessário para aceitar o desafio ou o compromisso, uma vez que você já esgotou suas reservas, bancando despesas que eventualmente poderiam ter sido adiadas.

 

Você também não precisa se afobar e tomar decisões precipitadas – que mais atrapalham do que beneficiam, como, por exemplo: tirar o filho da escola e matriculá-lo em outra mais barata ou gratuita no meio do período letivo ou despedir sua empregada que já trabalha com você há tanto tempo, quase confundida como um membro da família.

 

Corte, primeiramente, os supérfluos e em seguida analise que outras alternativas você pode dar para seus outros gastos e necessidades. Não faça isso de forma unilateral. Converse abertamente e francamente com seus filhos, esposa e outros familiares dependentes e obtenha deles um comprometimento maduro e saudável em relação à situação que se apresenta.

 

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Paulo Pereira,  Trabalho e Renda
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