Todo cuidado nesta etapa é pouco. Erros e acertos serão decisivos, muito mais do que em outras fases do processo.

Por isso, prepare-se adequadamente para ela:

1. INFORMAÇÕES E AÇÕES PRELIMINARES

Use os meios que você dispõe, com toda a discrição, classe e inteligência e procure saber com antecedência: qual o tipo de entrevista – individual, em grupo; quem ou quais pessoas vão entrevistá-lo e respectiva importância dentro do processo e, se possível, algumas características de personalidade dessas pessoas; duração estimada; em qual etapa do processo a entrevista se situa.

Procure levantar informações sobre a empresa, seus produtos ou serviços, seu setor de atuação, seu posicionamento no ranking, procurando utilizá-las com sabedoria, durante as entrevistas. É indispensável, se você tem acesso à Internet, navegar por todo o site da empresa e se interar de seu conteúdo.

Se já não tem o hábito, pelo menos leia algum jornal ou ouça o rádio para poder estar no mínimo informado sobre o que anda acontecendo nos últimos dias ou quais são as novidades em sua área. Melhor ainda, se tiver acesso à Internet, navegue pelos sites dos principais veículos de comunicação que você conhece. Pode ser que você identifique uma notícia quentíssima ou assunto especial que poderão fazer parte de algumas das fases da entrevista, preliminares ou não.

Demonstrar estar muito desatualizado em relação ao que anda acontecendo com sua profissão ou alienado em relação aos principais acontecimentos do dia-a-dia só vai atrapalhar – e muito.

 

2. PONTUALIDADE

Administre o horário de seu compromisso. Nunca chegue atrasado. Não peça para mudar a agenda, exceto se por motivo de força maior. Não assuma outros compromissos próximos ao horário de sua entrevista, pois pode haver imprevistos, remanejamentos de última hora, entrevista longa.

Descanse bem à noite ou período que antecede a sua entrevista. Procure relaxar. Se precisar se alimentar, faça refeições leves, evitando desconforto e sonolência durante a entrevista.

Não chegue em cima da hora, esbaforido, suado e sobressaltado. Se o desrespeito ao horário partir do entrevistador, controle sua irritabilidade, angústia e ansiedade.

Pode ser que o motivo seja por despreparo dele mesmo, procurando mostrar-se importante e ocupado ou por pura indisciplina e desorganização. Mas pode ter acontecido um problema específico.

Se não houve uma justificativa plausível, e caso ingresse na empresa, leve este gesto em consideração, na devida proporção e importância, principalmente se o entrevistador for uma pessoa com a qual você terá envolvimento direto e freqüente.

Não fique procurando fantasmas, mas o desrespeito que ele teve com você, em relação ao horário, pode ter sido só uma pequena gafe ou um pequeno deslize, mas também poderá ter sido a “ponta do iceberg”. Fique alerta!

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3. APARÊNCIA GERAL

Boa aparência ajuda e muito em processos de recrutamento e seleção de pessoal. Mas não faça deste aspecto uma paranóia. E nem precisa usar de métodos científicos para escolher qual a cor da roupa e modelo que você deve usar e nem mudar seu estilo pessoal (uso de barba e bigode, por exemplo) só porque alguns especialistas em comportamento dizem que isto pode lhe atrapalhar.

Alguns afirmam que o uso de barba ou bigode pode estar escamoteando algum traço de personalidade – e negativo e que você deve procurar se apresentar de “cara limpa”. Se isto realmente fosse verdade ou algo muito importante, provavelmente Deus teria dito isso ao seu filho, Jesus, e este aos seus discípulos. É claro que estamos falando da imagem, verdadeira ou não, que nos tem sido apresentada por nossos antecessores.

O que funciona mesmo é o bom senso, o conforto, a discrição e a naturalidade em se apresentar nas várias e diferentes ocasiões em nosso dia-a-dia. E isto tudo é relativo.

Se você se sente bem com barba ou bigode, desde que devidamente cuidados, ou com a adoção de outro estilo (cabelos longos ou usa um ou outro adorno qualquer) isto não vai lhe atrapalhar em nada.

Boa aparência, em termos de disputa de vagas, é muito relativo e varia conforme a situação. Por exemplo: o aspecto higiene é muito importante em qualquer situação, mas para um garçom, uma cozinheira ou alguém que trabalha na área de saúde torna-se um requisito fundamental, em seus mínimos detalhes. Qualquer deslize poderá ser fatal. Os cuidados gerais com a higiene pessoal, evidentemente, são indispensáveis em qualquer situação, principalmente quando estiver diante de outras pessoas.

A roupa que você estiver usando não pode ser imprópria para o ambiente onde você fará as entrevistas. Por exemplo: Você está acostumado a andar de terno e gravata em São Paulo. Se a entrevista for em uma unidade agrícola da empresa, provavelmente o uso de terno e gravata se tornará incompatível.

Use perfumes e maquiagem discretos. Você pode até conseguir, mas não fique mascando balas ou chicletes enquanto estiver falando com alguém, ainda que seja a forma que você encontrou para disfarçar a sua tensão, nervosismo e ansiedade.

 

4. CORDIALIDADE

Em seus primeiros contatos com o entrevistador faça-os de maneira calma e tranqüila. Nada de cara amarrada, ainda que tenha tido motivos ou aborrecimentos para agir como tal.

Entre de cabeça erguida e altiva, continue da mesma maneira durante a entrevista e, principalmente, saia de cabeça do mesmo jeito que entrou, demonstrando satisfação pela oportunidade, mesmo que possa ter sentido alguma rejeição preliminar ou que o processo possa estar se encerrando naquele momento para você.

Um rosto alegre ou sorriso, transmitindo entusiasmo, é sempre um recurso que facilita a aproximação, mas não se comporte com exagerada intimidade como se fossem amigos íntimos de longa data. Demonstração de muita intimidade entre pessoas desconhecidas, em especial em situações de entrevistas, soam falsas, quando não deliberada e exclusivamente interesseiras e só para o momento.

Quanto ao pronome de tratamento, tanto pode ser usado o estilo formal (Sr. ou Sra.) ou informal (você). Se for pessoa que aparenta ter mais idade que você, o correto é usar o formal, a menos que seja por ele liberado.

Por mais objetividade que se queira dar a uma entrevista, sempre haverá a chance de introduzir algum assunto que sirva para “quebrar o gelo” e diminuir a tensão e nervosismo eventualmente existentes no início da entrevista.

Normalmente um bom entrevistador sabe como utilizar deste expediente. Pode ser qualquer assunto, observação ou comentário de qualquer natureza, mas que tenha a capacidade de prender o interesse e gerar comentários pelas partes. Se o entrevistador não o fizer e der alguma chance para você fazer, faça-o você mesmo.

Grave o nome do entrevistador ou dos entrevistadores. Nunca esqueça o nome deles e muito menos os troque. Procure, durante as entrevistas, chamá-los pelo nome – sempre que possível. Essas providências só irão ajudá-lo.

Procure manter um clima de cordialidade durante toda a entrevista, evitando estabelecer polêmica, discussão, argumentação e comentário desconfortantes.

 

5. AUTOCONFIANÇA

No frigir dos ovos, seleção é um processo de escolha profissional mútua. As empresas, utilizando-se de vários caminhos, alternativas e instrumentos, lançam-se ao mercado para encontrar um profissional, cujo perfil pessoal e profissional sejam adequados às suas necessidades de negócios, apesar dos headhunters e selecionadores (não é a maioria, felizmente) e dos candidatos (a maioria, infelizmente) se comportarem ao contrário desta afirmação.

Os selecionadores, os com deformação profissional, tem como postura agir como se fossem as pessoas mais importantes do mundo, os donos da bola, os Deuses todo poderosos, os senhores de todas as decisões. Muitas vezes se esquecem até de que estão a serviço de pessoas ou empresas e perdem o foco em suas necessidades. Agem com o candidato como se a posição em que está trabalhando fosse a única para ele.

Como já falamos, tratam o candidato não como um “recurso” ou “matéria prima” nobre e, dependendo da situação, escassa no mercado, atribuindo a ele toda a responsabilidade e iniciativa para conquistar a posição em aberto. Não se preocupam em preparar um clima onde o candidato possa se sentir seguro, valorizado, respeitado e interessado em colocar para fora toda a sua potencialidade.

Pobres coitados. Quantos e quantos ótimos candidatos simplesmente deixaram de dar continuidade ao processo por falta destas indispensáveis providências.

Por outro lado, infelizmente, a maioria dos candidatos faz o jogo destes maus headhunters e selecionadores e assumem uma posição de extrema dependência em relação a eles e se deixam ser passivamente conduzidos em todo o processo.

Você precisa estar atento a isto. Comporte-se considerando que você está precisando da empresa, do selecionador ou do headhunter. Mas não perca de vista que você é extremamente interessante para eles. Não seja simplesmente escolhido. Você tem o direito, a necessidade e o dever de escolher onde quer trabalhar, sem demonstrar arrogância e prepotência ou exagero na humildade.

Esteja atento para saber como se comportar diante das perguntas, respostas, considerações e observações que ocorrem na dinâmica das conversas, pois todos os seus atos, palavras, gestos, posturas e atitudes estarão sendo analisados e levados em consideração.

Apresente-se confiante em você mesmo. Fale com clareza, naturalidade, espontaneidade e de maneira articulada e verdadeira. Tenha cuidado com sua gramática, o uso de gírias e os vícios de linguagem.

Cuidado com as contradições, pois, na própria entrevista ou em futuras discussões de seu entrevistador com outras pessoas que o entrevistaram, costumam provocar estragos em sua avaliação, gerando uma grande insegurança nos entrevistadores em relação às suas reais condições.

Não minta e nem tente defender posições nas quais você não acredita efetivamente. Quem não mente não corre o risco de cair em contradição.

Se for questionado sobre os seus valores e conceitos, não tente camuflar suas crenças e atitudes reais só para parecer “politicamente correto” ou “moderno”. Admita-os e, se for o caso, apresente seus argumentos que possam justificar seu posicionamento, procurando demonstrar flexibilidade em aceitar e incorporar mudanças.

Não tenha medo de falar de seus “defeitos”, de seus fracassos ou algo que não foi possível concluir em algum momento de sua trajetória profissional. Esteja certo de uma coisa: não existe qualquer profissional infalível ou perfeito, que não tenha tido algum insucesso ou fracasso em suas iniciativas profissionais.

 

 

6. POSTURA ÉTICA

Mesmo que provocado, nunca fale mal de seus antigos empregadores, supervisores, colegas de trabalho, de parentes etc. Quando a situação requerer alguma avaliação sobre eles, procure fazer isto de uma maneira crítica e saudável, demonstrando também virtudes e aprovações. Não cuspa no prato que comeu algum dia, pois poderá precisar dele novamente para novas refeições.

Nunca faça comentários ou observações que desqualificam o próprio entrevistador, os outros candidatos que participam do processo ou outros profissionais que o entrevistaram ou participaram do processo de recrutamento e seleção. Em relação aos candidatos concorrentes, adote como atitude o significado de alguns provérbios conhecidos que, no momento, não me ocorre a autoria, entre eles: Você não precisa apagar a luz de seu vizinho para fazer a sua brilhar. Ou, o mais popular de todos eles: O sol nasceu para todos.

Jamais fale sobre informações confidenciais ou sigilosas, ainda que isto possa eventualmente parecer lhe beneficiar. Isto só poderá lhe prejudicar, perante o próprio entrevistador, que o verá como alguém em quem não se possa confiar. Poderá lhe prejudicar mais ainda se a informação vazar e provocar prejuízos para outras pessoas e ou para as empresas em que tenha trabalhado anteriormente, inclusive indenizatórios, perante a Justiça.

Coloque-se no seu lugar de candidato. Observe os limites até onde você pode ir. Não invada os espaços e não confunda relacionamentos com seu potencial empregador ou representante dele.

Um adequado clima de simpatia, empatia e envolvimento entre você e o entrevistador (a), para que a entrevista transcorra com naturalidade e contemple interesses mútuos, só pode ajudar, mas poderá ser muito prejudicial, tanto no processo em si, como no futuro, caso venha a ser o escolhido (a), se este clima caminhar para um tipo de paquera e ou assédio, mesmo que velados. É uma situação possível de ocorrer, mas extremamente inadequado para estas ocasiões.

Nunca trate mal, com arrogância, superioridade ou indiferença o pessoal de apoio, de assessoria e recepção. Além de ser uma atitude natural e obrigatória entre as pessoas, você não pode esquecer que, ao sair da entrevista, essas pessoas possam ser questionadas em pequenos detalhes, como por exemplo: E aí, o que achou do jeito dele ou dela? Pronto, se agiu mal, perdeu a chance de ver seus pontos aumentando para conquistar a posição.

Mais ainda, se der azar (ou sorte, dependendo de como agiu e a impressão que tenha causado a eles ), algumas dessas pessoas pode ser o próprio filho do entrevistador ou do dono da empresa fazendo um estágio ou algo naquele setor naquele momento. Não sendo o próprio filho ou algum parente, poderá ser alguém muito respeitado por suas opiniões para o entrevistador.

Não adianta querer enganar a empresa e ou o entrevistador sobre suas reais qualificações. Você pode até conseguir isto, usando de artifícios e comportamentos inadequados. Mas o que você ganha com isto? Você só perde. Poderá até conquistar a posição, mas em algum momento vai perder a dignidade e moral, se é que já não estaria perdida por pessoas que, deliberadamente, agem assim.

Lembre-se que você não vai conseguir enganar a todos o tempo todo. Uma hora sua máscara vai cair, e no pior momento. E se você já estiver contratado, já sabe: RUA, junto com outros constrangimentos e humilhações.

 

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Paulo Pereira,  Trabalho e Renda
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