O que fazer para garantir a nossa sobrevivência com dignidade no futuro quando não mais tivermos forças para continuar produzindo e gerando resultados, na qualidade e/ou na quantidade de hoje?  Esta é uma das perguntas que muito incomodam a todos nós, indistintamente, e que nos causam naturais temores e muita insegurança.

Temos algumas escolhas. Ou ficamos e convivemos durante anos com esta angústia, sem nada fazer e esperar diante daquilo que possa acontecer ou começamos a adotar ações e atitudes concretas, senão para eliminar essa angústia, pelo menos para amenizar ou postergar seus efeitos.

Segunda alternativa. Adie a sua aposentadoria o máximo que puder. Uma das primeiras providências a tomar, para adiarmos ao máximo nossa aposentadoria é, desde cedo, aprendermos a cuidar preventivamente de nossa saúde física, mental e psicológica, deste a tenra idade (por conta dos pais), quando jovens e adultos, evitando excessos de toda ordem (alimentar, de atividades físicas e até mesmo de trabalho), sedentarismo, situações estressantes, vícios de qualquer natureza – em especial drogas, fumo e bebida, entre muitos outros abusos.

Visitas periódicas ao médico, de acordo com sua faixa etária, certamente contribuirão muito para diagnósticos precoces de doenças degenerativas ou fatais, possibilitando tratamentos preventivos ou curas definitivas, além de permitir indicações terapêuticas que aumentarão e prolongarão seu bem-estar em geral, assegurando-lhe uma excelente qualidade de vida.

Levar uma vida com certa moderação, evitando ficar demasiada e desnecessariamente exposto a situações de riscos de acidentes – na vida pessoal e no trabalho – além de ser uma atitude inteligente e de respeito para consigo mesmo e com seus familiares, minimizará as probabilidades de traumas e seqüelas, que serão acumuladas com os problemas de saúde que normalmente virão com o passar dos anos.

Comporte-se de forma a não contribuir para que os acidentes e doenças aconteçam com você. Procure correr apenas e tão-somente os riscos que a “Divina Providência” eventualmente lhe tenha reservados, riscos inevitáveis para todos nós, ou como parte de nosso destino, como muitos acreditam.

Uma outra atitude é manter-se ativo e produtivo, apesar da aposentadoria. Isso mesmo. Não se “aposente” nunca. Esteja sempre tentando fazer algo útil para você e para os que o cercam, para sua comunidade (o trabalho voluntário é uma boa dica), etc., de acordo com a sua capacidade, disposição física e mental e com os conhecimentos e outras capacitações e habilidades adquiridas ao longo de seu tempo de vida.

Evidentemente, a uma certa altura de sua vida você precisará e poderá dosar e adequar o seu novo ritmo de trabalho e estilo de vida, pois certamente não terá os mesmos objetivos, motivações, desafios e compromissos que você tinha em outras épocas.

Mantendo-se ativo, participativo e produtivo – mesmo que parcialmente – continuará tendo (e se sentindo) considerado e integrado no convívio com as demais pessoas (crianças, jovens, adultos e velhos), transformando a sua “velhice” em algo digno de ser vivido.

De qualquer maneira, ainda que você consiga adiar ao máximo sua “velhice”, o seu dia de “aposentadoria” chegará e uma questão importante, prática e mensurável se impõe: a questão econômica e financeira. É o “Calcanhar-de-Aquiles” de todo o aposentado.

Para minimizar dificuldades econômicas e financeiras no futuro, você precisa começar a agir logo cedo. Faça tudo que puder para não depender exclusivamente da previdência social e assistência médica e hospitalar públicas, principalmente no futuro.

E vale tudo, inclusive investir no futuro de seus filhos, natural e primeiramente visando ao bem-estar e segurança deles, mas que eles, da mesma forma, possam ter condições de dar-lhe, espontaneamente, o apoio de que eventualmente vier a necessitar. Mas muito cuidado, não transfira para eles o seu problema decorrente da aposentadoria, agora ou no futuro.

Por mais recurso que possa ter acumulado ou acumular para o futuro, não abra mão dos proventos da aposentadoria oficial do país. Lembre-se de que no futuro ela poderá ser a sua única fonte de renda, quer porque você não teve como juntar recursos ou contribuir adicionalmente para outro plano de previdência ou porque contribuiu, mas seu plano “naufragou” pelo caminho ou porque os recursos acumulados se esgotaram.

Verifique regularmente se a sua empresa está em dia com as suas contribuições previdenciárias e se você está contratado corretamente, conforme as condições pactuadas entre as partes, para não ter surpresas negativas no futuro ao requerer o seu benefício legal, pois não mais poderá recorrer ao empregador fraudulento para corrigir o problema, já que certamente estará fora do cenário comercial.

As experiências no Brasil em relação a fundos complementares de aposentadorias foram amargas e desastrosas para muitas pessoas no passado. Bem ou mal, pouco ou muito, a previdência oficial tem honrado seus compromissos.

O Brasil ainda não tem tradição em fundos complementares de aposentadorias, mas a partir das recentes alterações na legislação previdenciária muitas alternativas e propostas estão surgindo por aí, já que grande parte da população está ciente de que não poderá contar somente com a previdência social oficial.

E isso é excelente, pois o próprio mercado financeiro está se ajustando e oferecendo alternativas cada vez mais viáveis para uma grande parte da população.

Ao optar por fazer um plano de aposentadoria complementar, tenha em mente o longo prazo. Portanto, faça-o com instituições sólidas e consolidadas. Mesma assim você não terá garantias reais, pois mesmo elas podem “quebrar”, por falcatruas ou por incompetência de seus gestores. Que dirá arriscar-se com aventureiros. Desconfie de todas as propostas muito vantajosas, pois não há milagres neste ramo.

Diante destas inseguranças, se tiver possibilidade, diversifique. Dê preferências para ativos fixos de menor risco, portanto de menor rentabilidade, mas que poderão resistir ao tempo.  Se gostar ou tiver preferências por ativos de riscos, invista parte de seus recursos neles, aproveitando as oportunidades existentes. Em seguida, volte os recursos às alternativas mais seguras.

Ativos de baixo risco, mais tradicionais, que você pode considerar são: poupança oficial, aplicações financeiras, de médio e longo prazo, imóveis (comerciais ou residenciais) para serem alugados, dólar, em aplicações financeiras em bancos estrangeiros, fundos complementares de aposentadoria, oficial ou privado.

Os ativos de alto risco mais tradicionais são: ações em geral, commodities e bolsa de futuros, mercado de bitcoins, empresas de engorda de animais, etc.

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Paulo Pereira,  Trabalho e Renda
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