Vivemos em uma sociedade de consumo, na qual o dinheiro, se não traz felicidade, minimiza bem as nossas dificuldades de sobrevivência. Certo ou errado, não importa, é com essa dura realidade que temos que conviver em nossa sociedade dita civilizada. Quem tem dinheiro vive bem e melhor, materialmente falando, é claro.  Quem não tem, sobrevive eventualmente com algumas humilhações, frustrações, carências e desejos de toda a ordem. Alguns mais, outros menos.

 

Infelizmente, em nosso país e em muitos outros países do mundo, sobreviver é uma realidade para centenas de milhões de pessoas, pois não conseguem ganhar o suficiente para além disso,  muito menos ainda para fazer economias para o enfrentamento de eventuais problemas econômicos e financeiros no futuro, em especial nas ocasiões em que lhes faltam trabalho e renda, como empregado ou não.

 

Para essas pessoas, por razões óbvias, não há muito que aconselhar em termos de atitudes econômica e financeira preventivas que podem tomar, para fazer frente a uma eventual falta de trabalho ou renda no futuro.

 

No entanto, mesmo essas pessoas que ganham pouco ou vivem financeiramente no limiar da sobrevivência, precisam ter consciência das dificuldades que poderão ter nestas duras ocasiões e procurarem adotar práticas e hábitos de consumo que não impliquem em dificuldades adicionais no futuro.

 

Como um exemplo entre tantos outros, devem procurar fugir do comprometimento da renda futura, evitando contrair dívidas com a aquisição de bens, em especial os dispensáveis ou adiáveis. Esse hábito, infelizmente, é muito comum entre pessoas de baixa renda, talvez até mesmo por ter sido para muitos deles única alternativa de acesso a algum bem, mesmo que seja um simples eletrodoméstico.

 

Para essas pessoas, a melhor estratégia recomendada para adquirir bens de consumo, sem que corram o risco de agravarem sua situação econômica e financeira no futuro em situações de falta de trabalho e ou renda é o esforço de poupar. Fujam do crediário, dos cheques pré-datados, dos cartões e do cheque especial, que cobram juros extorsivos.

 

Agindo assim, se ocorrer uma situação de falta de trabalho ou renda, não haverá uma pressão econômica e financeira adicional por pagamento de dívidas e por outros compromissos assumidos adicionalmente às suas necessidades habituais básicas, que continuarão a existir mesmo se estiver desempregado ou com falta de trabalho e renda.

 

Além destes cuidados econômicos e financeiros, também não aceite relações de trabalho sem a devida proteção legal. Certifique-se que seu empregador está recolhendo o seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e cumprindo com as demais obrigações trabalhistas que garantam seus direitos ao recebimento de um eventual seguro desemprego e indenização e de sua aposentadoria no futuro.

 

Comprovar tempo de serviço no futuro perante os órgãos da Previdência Social é uma tarefa complicadíssima, principalmente se seu empregador já não existir mais. Muito menos, conte com alguma agilidade de julgamentos finais de processos por parte da Justiça do Trabalho, caso seu empregador não esteja cumprindo com suas obrigações trabalhistas. Certos processos tramitam pelos tribunais por décadas sem que haja qualquer solução.

 

Para outros profissionais que ganham um pouco mais que suas necessidades de sobrevivência básica, além das recomendações mencionadas, válidas para todos, nossa recomendação é que desenvolvam e incorporem um hábito de reservarem uma parte de seu ganho especificamente para ser utilizada em momentos de falta de trabalho ou renda – sem nenhum constrangimento, dor na consciência, ou como sendo excesso de zelo, em forma de aquisição de bens patrimoniais ou outros tipos investimentos econômicos e financeiros existentes no mercado, tais como os mencionados no capítulo  “Adie ao máximo a sua aposentadoria”.

 

O montante que deve ser reservado vai depender da capacidade financeira de cada um, do tempo que se tem pela frente para poupar, da estratégia que cada um quer adotar para si e do sacrifício que queira fazer por conta do futuro.

 

Você pode, por exemplo, com pequeno sacrifício, disciplinar-se e poupar recursos apenas para cobrir necessidades futuras mais imediatas, para sua sobrevivência, de curto e médio prazo, em ocasiões de falta de emprego ou renda.

 

Não é essa nossa recomendação, mas, se preferir, pode, também, fazer um esforço maior, sacrificando muito mais suas necessidades, desejos e vontades atuais, adiando as recompensas atuais para obter benefícios e compensações no futuro, em situações de falta de emprego, trabalho ou renda.

 

A medida certa do sacrifício que queira estabelecer para consigo mesmo, para esse fim específico, só você saberá determinar. O importante é que considere as alternativas e saiba da importância, vantagem e utilidade de se adotar este tipo de comportamento e estratégia econômica e financeira para fazer frente a uma pontual falta de trabalho ou renda – que um dia certamente se apresentará para você, possivelmente em mais de uma ocasião. E, se não ocorrer, o sacrifício não terá sido em vão, pois poderá desfrutar das reservas acumuladas como uma complementação de renda em sua aposentadoria ou mesmo para o seu dia-a-dia.

 

Agindo preventivamente como propomos nesse item, em momentos e ou situações de desligamento em sua empresa, você não sofrerá tanto e nem entrará em desespero ao ser um dos escolhidos para ser incluído em uma eventual lista de dispensa, como tanto sofrem e se desesperam, naturalmente é claro, as pessoas que ignoram esse saudável hábito econômico e financeiro preventivo, enquanto estão trabalhando e adquirindo renda, ou as que simplesmente não conseguem ter uma renda suficiente para essa prevenção.

 

Você poderá até mesmo concluir que o pacote financeiro oferecido como indenização por sua empresa, somado ao que já tenha reservado ao longo do tempo, pode ser exatamente o capital de que precisaria para colocar em prática um novo projeto profissional em sua vida.

 

Já ao contrário, por ocasião de situações de lista de dispensas, pessoas “desajustadas” na administração de seus ganhos e que ignoram a atitude preventiva que aqui propomos, podem entrar em “parafuso” e até mesmo sofrer por antecipação, mesmo que não sejam os escolhidos finais para uma demissão.

 

Essas pessoas demonstram exagerada ansiedade e insegurança nessas ocasiões. Comportam-se inadequadamente em relação aos seus colegas de trabalho, perante si mesmas ou perante seus superiores hierárquicos, inclusive com atitudes desleais, numa tentativa desesperada de trocar de lugar na lista de dispensa. Muitas vezes até estariam fora da lista, mas acabam sendo lembradas, percebidas e incluídas a partir dessas atitudes e reações negativas.

 

Diferente de pessoas que puderam agir de forma preventiva, em termos econômico e financeiro, pessoas “desajustadas” financeiramente tendem a aceitar qualquer negociação, inclusive se submetendo ao aviltamento de sua remuneração, levando o entrevistador a ficar inseguro e daí podendo até preteri-las.

 

Sem considerar também que, por se sentirem muito inseguras, acuadas e pressionadas, acabam tendo um comportamento igualmente inadequado nos processos de recrutamento e seleção. Simplesmente “se escondem no processo” ou, pior ainda, adotam um estilo equivocadamente agressivo e até mesmo constrangedor para os demais candidatos e entrevistadores. Quando não, se preocupam mais em mostrar o quanto realmente precisam do trabalho ou do emprego, em função de suas necessidades econômicas e financeiras momentâneas, do que mostrarem o quanto realmente são mais adequados ao perfil da posição em disputa.

 

Para agravar, some-se a isto o fato de que, por estarem totalmente descapitalizadas, outras alternativas de trabalho existentes no mercado, além do emprego tradicional, como por exemplo, uma saudável representação comercial, uma franquia, uma pequena sociedade, um pequeno empreendido comercial, etc., acabam não sendo possíveis para elas.

 

Empenhe-se para criar e manter esse “fundo financeiro preventivo” ao longo do tempo em que está trabalhando, principalmente se seus ganhos forem maiores de que suas necessidades básicas mais imediatas, para não ser surpreendido no futuro em condições de dificuldades econômica e financeira em ocasiões de desemprego, falta de trabalho e ou renda. Previna-se.